31. Clair Obscure: Expedition 33
Console: Xbox
Series S
Tipo: Gamepass
Ano de lançamento: 2025
Gênero: JRPG
O
vencedor do GOTY 2025 foi apresentado timidamente na Xbox Showcase 2024 e
chegou igualmente sem chamar atenção day one do lançamento no Gamepass. Ainda na
apresentação de seu trailer eu já sabia: eu vou jogar isso assim que der. Além
de apaixonado por JRPG, também sou um grande admirador do estilo gráfico da
série Persona e seus menus espalhados, poses magníficas e um show de contraste
de cores. Clair Obscure: Expedition 33 explorou perfeitamente bem o alcance que
Persona 5 havia conseguido ao ser indicado ao GOTY em 2022 e misturou com a
febre do soulslike para criar um sistema de parry frenético em um RPG de turno.
Já sabemos que o sistema de “apertar o botão na hora certa” não foi criação de Expedition 33, mas, com certeza, ele revolucionou essa ideia e atraiu os jogadores de fora do sistema meticulosamente estratégico do JRPG. Vem aí uma onda de jogos like clair obscure, mas, uma realidade nunca vai deixar de ser verdade: gostar de Expedition 33 não vai te fazer um jogador que aprecia JRPG do nada, pois ele tem muitas particularidades que o faz diferente de outros jogos do gênero. Fico feliz, entretanto, que esse prêmio, assim como o reconhecimento de outros jogos do mesmo tipo, tenha arranhado a indústria e feito ela acordar e reconhecer que JRPG não é coisa do passado e que esse gênero não morreu, simplesmente precisa de novas ideias... e ideias urgentes! Ideias como as de Clair Obscure: Expedition 33.
E
há quem diga que premiações como o GOTY não significam nada. Foi somente após
um JRPG ser prestigiado numa das premiações (este sendo, no caso, Persona 5
Royal) para incentivar a criação de mais jogos do gênero, culminando na vitória
do inspirado Expedition 33 em 2025 e o ressurgimento de jogos do tipo na
aclamação do público (quem diria que um remake do oculto Trials in the Sky 1st
chapter ia cair na aprovação do público do nada... isso não aconteceria se este
tivesse saído a alguns anos atrás). Isto é só uma prévia que mostra o quanto a
indústria é capaz de manipular o gosto da maioria dos jogadores e fazer eles
gostarem do que esta incentiva a gastar seu bom dinheirinho. Aqui fica um
apelo: experimente jogar muito mais do que a playlist de favoritos daquele seu youtuber
“especialista” em videogame. Se puder, experimente de tudo antes de julgar.
Clair
Obscure: Expedition 33 tem uma das narrativas mais profundas de toda a história
dos videogames e eu sei que isso pode soar como exagero, mas não vai ser
difícil encontrar alguém por aí que confirme essa afirmação. Você pode não
curtir a gameplay de Clair Obscure, mas entender sua história e não ficar, no
mínimo impressionado, vai ser bem estranho. O jogo é sobre a trigésima terceira
expedição treinada para quebrar um círculo de morte causado por uma entidade conhecida
apenas como “a pintora”, que pinta números num monólito que pode ser visto no
horizonte de uma ilha misteriosa e todos os indivíduos que tenham a idade igual
ao número mostrado desaparecem anualmente num evento chamado Gommage.
Dividido
em três atos, cada qual mais decisivo que o anterior, as pontas soltas dessa
história e o mistério ao redor da pintora vão se revelando e o resultado é uma
resposta fantástica que nos causa uma inesperada epifania. Mesmo o título da
obra se torna uma pista curiosa sobre o jogo (clair obscure refere-se a uma
técnica de pintura que usa contrastes fortes entre luz e sombra para criar volume,
profundidade e drama na obra).
Seu
sistema de batalha, mesmo sendo de turno, traz uma sensação frenética típica de
soulslikes, embora contida e dramática, fazendo com que cada próxima escolha do
jogador possa ser definitiva para vencer a luta. Aos ansiosos, suas cebolas.
Enfim,
Clair Obscure: Expedition 33 já ganhou seu título de atemporal devido suas
conquistas nada previsíveis no mundo do games e, claro, se tornou uma
experiência imprescindível para que busca explorar gameplays e a história dos
videogames.
32. Teenage
Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge
Console: Xbox
Series S
Tipo: Gamepass
Ano de lançamento: 2022
Gênero: Beat’m Up
Shredder’s Revenge apela descaradamente para a nostalgia e faz isso com uma maestria admirável. TMNT 4: Turtles in Time, o port do SNES, é provavelmente o jogo beat’m up que eu mais joguei na vida e Shredder’s Revenge conseguiu trazer de volta a sensação de jogar aquele game das antigas, mas com uma modernidade muito bem-vinda.
Gravem
bem este nome: Dotemu, a empresa responsável por Shredder’s Revenge, Streets of
Rage 4, Ninja Gaiden Ragebound e os recentes lançamentos Absolum (um beat’m up
roguelike que ganhou as graças do público muito rapidamente) e Marvel Cosmic
Invasion, simplesmente está ressuscitando franquias antigas de um jeito que
está atraindo tanto antigos jogadores quanto novos, apelando para a pixel art
de forma inovadora.
33. Final Fantasy III Pixel Remaster
Console:
Nintendo Switch (Mídia física)
Tipo: Nostalgia
Ano de lançamento: 2022
Gênero: JRPG
Final
Fantasy 3 Pixel Remaster dá continuidade à saga que iniciei ano passado após
comprar a cobiçada e caríssima mídia física da coletânea. Aqui vale uma
observação: eu já zerei os seis primeiros capítulos da saga via emulação há
muito tempo e a ideia é revisitar os jogos cuja trama já havia desaparecido
quase que totalmente da minha cabeça. O remaster dessa franquia recebeu
melhorias significativas de desempenho, opções como acelerar o combate para
facilitar o grind (os JRPG antigos eram praticamente metade do tempo história,
metade do tempo grind e essa melhoria, pra mim, foi a mais significativa), a
função de programar um loop de ações que também torna a evolução do personagem
menos maçante e, é claro e não menos importante, a tradução dos seis primeiros
jogos para PT-BR.
O terceiro volume da saga ingressa o sistema de jobs que influenciaria vários JRPG no decorrer dos anos (Octopath Traveler e Bravely Default são exemplos). Diferente do primeiro e segundo volumes, ao invés de escolher uma única classe e passar o restante do jogo com ela, em Final Fantasy 3 você pode alternar entre as várias classes que existem no jogo. Há opções bastante variadas como o arqueiro, o bardo, o cavaleiro, o sábio ou o geomante, cada qual com sua própria proficiência com armas e skills. Conforme o jogo avança, o jogador encontra cristais que são capazes de ensinar mais jobs para os personagens e cada classe garante novas habilidades, tais quais a capacidade de roubar, exclusiva do ladrão, ou a clássica ação de ataque com salto do dragoon.
É
muito interessante notar que Final Fantasy 3 foi originalmente lançado para o
Nintendinho, um console de 8bits bastante limitado, mas que ainda assim
aguentou o tranco para fazer funcionar esse jogo que é tão cheio de opções.
Classes como o conjurador, por exemplo, permite que seu personagem invoque os
famosos summons que se tornaram tão frequentes na franquia (Shiva, Ifrit,
Titan, Leviathan...), magos negros dão acesso à Fire, Fira e Firaga (termos que
continuam sendo usados até nos jogos mais contemporâneos) e magos brancos
capazes de usar Cure, Cura e Curaga. Alternando entre essas classes, é
possível, ainda que de forma limitada, montar uma build com opções múltiplas
para um personagem.
A
experiência com este remaster foi muito mais bem-vinda do que quando joguei a
versão do Nintendinho, não somente pela melhoria gráfica, mas por todas as
ideias que a Square criou para modernizar seu remaster. Muito mais acessível
para jogadores que querem ter uma experiência retrô agradável.
34. Final Fantasy IV Pixel Remaster
Console: Nintendo
Switch (Mídia física)
Tipo: Nostalgia
Ano de lançamento: 2022
Gênero: JRPG
Final Fantasy 4 foi o primeiro JRPG (e RPG no geral) que eu me lembro de ter finalizado na vida, por isso, esse título tem um espaço garantido no meu top de melhores jogos. Ao que me parece, entrei certeiro no gênero, pois considero o quarto volume da franquia um dos JRPG mais indicados para iniciantes e tudo isso por causa da simplicidade de seu sistema e por ser o primeiro Final Fantasy focado mais na história do que propriamente no sistema.
Aqui
não formamos um grupo e atribuímos classes, mas nos acostumamos com um vai e
vem rotineiro de personagens escolhidos pela própria narrativa e, assim, a
emergência de ter que formar um bom time para um desafio específico é deixada
de lado para nos atentarmos às skills de cada personagem acessível no momento.
Como
de praxe, cada personagem tem uma skill e proficiências próprias; nosso
protagonista, Cecil, começa como um cavaleiro negro e passa por uma provação
afim de tornar-se paladino, é capaz de defender seus aliados completamente
quando estes estão à beira da morte; Khain, nosso amigo leal que passa boa
parte do jogo dominado pela vontade do inimigo, é um dragoon, classe que tem
acesso ao comando “salto”, capaz de causar verdadeiros amontoados de dano em
troca de postergar uma ação; Rosa, mulher do protagonista, é uma exímia maga
branca e única capaz de aprender a poderosíssima magia “White” lá em seus
últimos níveis; Rhydia, a garotinha salva por Cecil é uma prodígia maga negra
que, mais tarde, tem acesso à invocação de summons. Estes somados a uma trupe de
aliados que se junta ao grupo quando a narrativa necessita, formam uma das
equipes mais inesquecíveis de todoa saga Final Fantasy.
Quando
penso em videogame e RPG, muitas cenas de Final Fantasy 4 são as primeiras
destacadas na minha memória: o mago Tellah conjurando a magia Meteoro pela
primeira vez imerso na vingança de ter perdido sua filha; os magos negros Palom
e Porom se sacrificando e se tornando estátuas de pedra para impedir que o
grupo seja esmagado por uma armadilha; o bardo Edward fazendo ressoar sua
canção pelo mundo para libertar nossos heróis do domínio do inimigo. Final
Fantasy 4, com certeza, foi o primeiro título da franquia que a fez mergulhar
inteiramente na importância de manter uma narrativa mais sólida e entregar
personagens únicos, coisa que vem se repetindo pelos próximos jogos da série em
constância variada.
Outra
coisa que venho observado é que a Square provavelmente tem um carinho especial
por esse título, já que ele foi um dos únicos da época pixelada que tiveram
ports para videogames durante quase todas as gerações: ele voltaria a aparecer em
Final Fantasy Collection para PS1; ganhou uma versão para o Gameboy Advanced;
mais tarde sairia para o PSP e para o Wii todo repaginado com novos modelos
pixelados e uma continuação direta da história, tendo como protagonista o filho
de Cecil; posteriormente saiu um remake com personagens modelados em 3D para o
Nintendo 3DS e, por fim, o então jogado Final Fantasy 4 Pixel Remaster. É o
jogo da franquia que a Square mais tentou modernizar.
35. Jackie Chan Stuntmaster
Console:
R35S (emulação do Playstation)
Tipo: Retrô
Ano de lançamento: 2000
Gênero: Beat’m Up
Esse é um jogo que a maioria lembra de ter jogado, mas dificilmente zerado. Eu me incluía nesse grupo quando decidi emular Jackie Chan Stuntmaster no R35S (originalmente do PS1). Este jogo é uma mistura de beat’m up e desafio de plataforma, sendo que este segundo gênero é o responsável por torná-lo um jogo de dificuldade incrivelmente frustrante, especialmente porque a jogabilidade dele, em muitos momentos, não ajuda!
Enquanto
que em certos momentos a rapidez de movimento do Jackie é uma vantagem
(especialmente ao lidar com a trupe de inimigos que chove no cenário), em
outros momentos, como correr e saltar no momento certo para alcançar
plataformas mais distantes, pode tornar o desafio frustrante devido ao tempo
mínimo de resposta do controle para o salto... e isso é terrivelmente grave
para um jogo com vidas limitadíssimas... e se você é acostumado com o parkour
de Assassin’s Creed, este jogo será um pesadelo!
A
dificuldade aqui é baseada nas antigas apelações dos arcades e o jogo,
inclusive, cria situações que te surpreendem com a morte repentinamente,
momentos específicos que são imprevisíveis e que o player só consegue evitar se
tiver passado pela experiência antes. Eu consigo me ver jogando esse clássico
numa antiga locadora com outros jogadores me alertando: “Cuidado, cuidado!
Assim que você passar dessa tela, do outro lado tem um buraco e você tem que
frear seu personagem ANTES de atravessar!”. Entende? Uma forçação de barra para
que o jogador dê game over várias vezes e faça várias tentativas antes de zerar
o jogo em definitivo, confiando mais em sua memória do que na própria
habilidade (o que, na verdade, é extremamente comum em retrô games).
Detalhe
interessante é que o último chefão é, claramente, uma figura totalmente
inspirada no Steven Seagal, um ator com péssima fama entre as celebridades que
fazem filmes de ação/luta.
36. Bzzzt
Console: Nintendo
Switch (mídia digital)
Tipo: Indie
Ano de lançamento: 2023
Gênero: Plataforma
Bzzzt foi uma boa surpresa. Este jogo sempre está em promoção na e-shop (sempre encontrado por menos de R$10) e, naquele momento, eu estava buscando algum indie de plataforma que buscasse me dar um pouco da alegre sensação que tive ao zerar Celeste.
Comprei
sem esperar grande coisa e Bzzzt se mostrou exatamente o que eu queria, embora
por um curtíssimo espaço de tempo (o jogo tem, no máximo, umas 3 horas de
duração). O desafio é passar por fases de plataforma, se desviando de
armadilhas e raios elétricos enquanto coleciona engrenagens espalhadas pela
fase. Este é um jogo rápido, do tipo que seu personagem dá um dash aéreo e
quica para ganhar impulso nas paredes, desviando milimetricamente dos
obstáculos.
Provavelmente,
jogadores que não têm o costume de jogar plataforma vão sofrer um pouco até
pegar o jeito, mas Bzzzt é um jogo para não se frustar. As fases são sempre um
cenário curto e a morte sempre resulta em um retorno para o início da fase num
estalar de dedos, oferecendo um rápido desafio de tentativa e erro (muito
similar à Celeste) e, por fim, curto o suficiente para não enjoar da repetição
dessas tentativas.
37. Theaterythm Final Bar Line
Console: Nintendo
Switch (mídia física)
Tipo: Nostalgia
Ano de lançamento: 2023
Gênero: Musical
Que
saudades de jogos de ritmo! Desde o finado Guitar Hero nada do gênero me
prendia tanto tempo quanto Theaterythm Final Bar Line conseguiu fazer e eu
tenho quase 120 horas dessa experiência que podem confirmar isso.
Eu conheci Theaterythm no 3DS e esta foi uma das experiências mais únicas do portátil, já que este game aproveitava genuinamente a função da stylus (caneta para o touch screen do portátil). Fiquei pensando se a experiência no Switch (sem essa função do touch) poderia ser tão única quanto a do 3DS. Até hoje não estou confiante em dar uma resposta precisa, mas, sem dúvida eu joguei muito mais essa última versão. Aqui trocamos o toque na tela do 3DS pelo analógico e isso me fez desconfiar da gameplay em primeira instância (analógicos não costumam ser tão precisos assim), porém a estranheza foi se esvaindo com o tempo e aos poucos fui me acostumando. Ora eu desejava o antigo sistema com a stylus, ora eu estava muito bem resolvido com a rápida sucessão de movimento dos analógicos.
Theaterythm
Final Bar Line é um jogo de ritmo com a trilha sonora de todos os Final Fantasy
já lançados. A ideia é apertar ou segurar os botões certos na hora certa
conforme os nuances da música (é claro que aqui todos conhecem Guitar Hero,
né?) com o diferencial que aqui recrutamos os heróis da série Final Fantasy e
meio que montamos uma build com poderes que vão influenciar na jogatina. Durante
a fase, enquanto acompanhamos a música, nossos heróis golpeiam e usam poderes
contra os monstros que aparecem no meio da tela side scrolling.
Quanto
mais precisos forem seus movimentos ou o apertar de botões na hora certa, mais
dano o grupo causará nos desafios e ter uma equipe bem formada influencia
bastante. Sim, aqui nós precisamos recrutar e evoluir um grupo de heróis
diversificado, incluindo organizar a distribuição de itens e XP entre eles.
Para quem conhece os RPGs da série Final Fantasy, existem aqui as funções de
stalker, de healer, buffer e debuffer e analisar a fase e seus desafios para
montar um grupo eficaz é obrigatório para lidar com os desafios em nível hard e
very hard.
Outro
diferencial desse jogo em comparação com seus títulos anteriores é que saíram
inúmeras DLCs que incluem trilhas sonoras de outros jogos da Square Enix, aqui,
portanto, não se limita às músicas de Final Fantasy, mas também podemos incluir
a de clássicos como Chrono Trigger e Chrono Cross e isso pode fisgar muito bem
os players nostálgicos. A Square Enix é dona de algumas das trilhas sonoras
mais magníficas da história dos videogames.
38. Donkey
Kong Country Returns Remaster
Console: Nintendo
Switch (mídia física)
Tipo: Lançamento
Ano de lançamento: 2025
Gênero: Plataforma
Deixando
de lado a principal crítica sobre esse jogo que é o fato de ter o “HD Remaster”
em seu título e não providenciar melhorias significativas em relação à sua
versão original do Nintendo Wii (além de, como de praxe, não valer o preço padrão
determinado pela Nintendo), Donkey Kong Country Returns continua sendo um jogo
da série DKC e, como tal, não consigo dizer que não apreciei cada momento
apesar de já ter zerado ele tanto em sua versão do Wii, quanto da versão do
3DS! É tiro e queda: se eu começo a jogar um título dessa franquia, eu só
termino quando vejo os créditos subindo pela tela.
Donkey Kong Country Returns é o retorno da série para o gênero plataforma side scrolling que havia
Dessa
vez publicado pela Retro Studios (infeliz jornada da inesquecível Rareware que
acabou sendo comprada pela Microsoft), DKC volta às raízes do plataforma e
entrega uma dificuldade acima da média, que é o de praxe da franquia (eu já
assisti muitos reacts de gamers fulos da vida porque não conseguiam avançar
pelas fases de Donkey Kong), mas, por incrível que pareça, com menos ideias interessantes
do que as encontradas na primeira trilogia da série. Se você é um jogador das
antigas, provavelmente vai concordar que nos primeiros Donkey Kong Country,
cada fase parecia inventar algo novo. Lá encontrávamos de tudo: fortes ventanias
que impulsionavam o salto do nosso personagem; uma corrida de papagaios por um
labirinto de plantas espinhosas; esgotos de ar venenoso que ora deixava o
personagem lento, ora invertia os controles da jogabilidade; uma corrida
desesperada para escapar de uma enxame de abelhas ou para escalar uma árvore
que está sendo cortada por um serrote gigante; fases cujo as luzes apagavam e
acendiam num padrão que acompanhava a trilha sonora; flutuar em balões preenchidos
do ar quente que exala de um vulcão... enfim, uma infinidade de propostas que
transformaram a primeira trilogia em uma experiência épica.
Em
DKC Returns, a maioria dessas ideias não é explorada, mas cada fase é
amplamente bem construída em cima dos desafios de plataforma, nas fases de kart
em cima dos trilhos de uma mina abandonada ou dentro de um barril-foguete com
uma controlabilidade complicada. Há uma fase do tipo kart dentro de uma caverna
de gelo que provoca uma sensação de claustrofobia magnífica enquanto você
precisa deslizar dentro de um barril gigante que vai se desmantelando pouco a
pouco, limitando a sua área de deslocamento. Épico!
Um
dos pontos negativos, na minhão opinião, são os chefões. Nenhum deles é tão
carismático quanto os da primeira trilogia, tanto que eu estou pelejando para
me lembrar da luta contra alguns e não me recordo de nenhuma que tenha soado
incrível e inesquecível. Não é algo que acabe com a experiência, mas propor
chefões mais carismáticos como antigamente, provavelmente, tornaria Donkey Kong
Country Returns um dos favoritos da franquia para muitos jogadores.
39. The Artful
Escape
Console: Nintendo
Switch (mídia digital)
Tipo: Indie
Ano de lançamento: 2021
Gênero: Plataforma/Musical
Sabe
sobre aquele assunto: indies estão mais dispostos a passar uma mensagem do que se
tornarem os melhores jogos da sua vida? The Artful Escape é mais um exemplo. Na
pele de Francis Vendetti, um jovem músico prodígio que vive à sombra de seu tio,
uma lenda da música folk, você precisa se apresentar pela primeira vez no palco
de uma cidadezinha importante para sua família. Acontece que todos esperam que
Francis herde o legado de seu tio, enquanto que o gosto musical do nosso
protagonista está mais voltado para um rock psicodélico que influenciará todo o
estilo artístico desse jogo.
The Artful Escape segue a narrativa com a intenção de construir uma personalidade própria para Francis e para chegar a isso, ele precisa passar por uma desconstrução de suas próprias inseguranças e expectativas até se reconhecer como um indivíduo diferente da imagem que todos parecem projetar nele. The Artful Escape fala sobre individualidade, sobre abraçar seus métodos e se rebelar contra o padrão e mergulha o jogador em uma trama psicodélica que, a princípio, nada parece fazer sentido (naves espaciais? Alienígenas? Um planeta vibrante de cores e música transitando pelas galáxias?), mas que aos poucos vai se condensando numa narrativa poética que usa do impossível e da fantasia para convencer ao jogador que, às vezes, o caminho realmente vai parecer irreal ou ilusório.
Não
existe uma gameplay dedicada nesse jogo. Basicamente, muitas fases te deixam
livre para aproveitar os acordes de sua guitarra, deslizando por planícies
rochosas ou montanhas luminosas enquanto seu personagem salta, faz poses de
astro de rock e cria seu próprio punk rock. Vez ou outra o jogo nos oferece um
desafio musical relaxante que envolve repetir os padrões ecoados por monstros
alienígenas gigantes... então, psicodélico definitivamente é o adjetivo de The
Artful Escape.
O
jogo é curto e não oferece dificuldades. Ele só oferecerá sentido para
jogadores que reconheçam sua intenção e ela está muito além de ser videogame e
muito mais em mostrar o poder de uma mensagem.








